Ledo engano iludir-se, pois, a resiliência física e psicológica do povo
nordestino, que supera as duras condições do clima árido e os desafios da vida
com perseverança e resistência, apesar de uma aparência que pode parecer frágil
ou desengonçada à primeira vista, faz destes entes humanos tão luzidios quanto o
sol na rutilância de exemplos que presta ao mundo.
O nordestino pode parecer desgracioso, com um andar sem firmeza, mas, essa aparência esconde uma força interior e um temperamento empático, coisa de quem enfrenta os dias com galhardia, construindo seu viver através da fé, do trabalho e do orgulho da terra. Sua força resulta do gradual adaptabilidade às condições inóspitas do Nordeste
Este forte orgulho da terra, do chão onde pisa e da própria cultura, molda a identidade do povo nordestino. Seu valor está em ser um trabalhador incansável, cuja mão de obra foi e é fundamental para a construção do Brasil, especialmente na expansão das cidades e da economia. Uma contribuição imensurável e indispensável para o Brasil.
Além dos nordestinos serem atores de importantes movimentos pela independência e, posteriormente, de diversas revoltas contra o autoritarismo e a centralização do poder, como a Confederação do Equador e a Revolução Praieira, foram responsáveis pelo desenvolvimento de outras regiões do Brasil, como as regiões norte, centro-oeste, sudeste e sul.
As migrações de nordestinos, especialmente após a Grande Seca (1877–1879), ensejaram uma rica identidade cultural e um histórico de resistência, evidenciado nas várias revoltas e na forte presença de comunidades indígenas, que contribuem para a diversidade cultural do país, daí seu incontestável valor para o Brasil. O nordestino é o Sal da Terra.
Ser o Sal da Terra é coisa da mais alta responsabilidade. Responsabilidade que possa atribuída a um homem, como também, responsabilidade que possa ser assumida por ele. E o nordestino tanto a assume, quanto é atribuído por ela, tornando-a mais autêntica e cheia de propósito, ao passo que com responsabilidade influencia as sociedades.
Ser "Sal da Terra" significa ser uma presença que não apenas preserva e dá sabor à vida, mas também, que fertiliza a terra, tornando-a mais propícia ao desenvolvimento. É uma forma de reconhecer a importância do nordestino na promoção do amor, da justiça e da verdade no mundo, pilares da cultura deste bravo povo brasileiro.
A cultura nordestina, com suas tradições, festas e valores, é uma poderosa expressão da identidade brasileira. Extremamente diversa, reflete a rica miscigenação entre as influências indígenas, africanas e europeias, que se manifestam na culinária, na música, nas danças, nas festas populares e na rica literatura, como a de cordel, por exemplo.
A força criativa do povo nordestino, a riqueza de seus talentos na economia criativa e o potencial de sua força de trabalho, especialmente a feminina, representam um ativo valioso para o país, que precisa ser mais bem aproveitado. Iniciativas como as propostas pelo Sebrae visam mapear, fomentar e impulsionar negócios de capital intelectual e cultural.
Setores como audiovisual, design, música, publicidade, jogos e moda são exemplos de indústrias criativas que utilizam o capital intelectual para criar bens e serviços inovadores. Diferenciando-se de setores tradicionais por dar primazia ao conhecimento, à inovação e ao talento humano como principal motor da economia.
Por economia criativa, entendamos o conjunto de negócios que baseiam a sua criação, produção e distribuição de bens e serviços no capital intelectual, na criatividade e na cultura. O capital intelectual representa os conhecimentos e a expertise de uma organização e de seus colaboradores. Até mesmo o networking de uma empresa é capital intelectual.
A coesão dos nove estados do nordeste em torno de objetivos e metas comuns, buscada pelo programa Nordeste Criativo, uma estratégia do Consórcio Nordeste, visa criar políticas públicas e modelos econômicos que fortaleçam esse segmento, que já tem se mostrado fundamental para o crescimento do PIB e da geração de empregos na região.
No Cariri, o Kariri Criativo é um programa-piloto no Ceará, lançado pelo Ministério da Cultura em parceria com o Governo do Estado, com patrocínio do Banco do Nordeste, para fortalecer a economia criativa local, conectando saberes tradicionais e inovação tecnológica. Na Terra da Luz há sempre pioneirismos e inovação exemplando o Brasil.
Estas duas estratégias visam o fomento da economia criativa. A ideia central é que a cultura e a criatividade sejam motores para o crescimento e o desenvolvimento das cidades e territórios do Nordeste. Inclui formação, produção de conhecimento, desenvolvimento sustentável e estímulo à criação perene de políticas públicas para o setor.
A modernidade se integra à tradição, muitas vezes reinterpretando-a e não necessariamente a descartando, com elementos que mostram a capacidade de adaptação e a produção constante de novidades na região. O que pode ser visto como uma forma de fartura e prosperidade, mesmo com poucos recursos, "o desengano da vista é furar os olhos".
Buscar, então, a verdadeira compreensão, livre das ilusões (o desengano), a partir de um olhar que vai fundo, que é aguçado e "fura" as aparências para enxergar a verdade é o dever primevo do Nordestino. Pois, somente assim, pode dar-se a si mesmo o valor do nordestino que é, para, assim, ser valorado pelo mundo na exata proporção de seus méritos e grandezas.

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